terça-feira, 7 de março de 2017

A nossa João Coutinho faria hoje, se ainda existisse, precisamente 47 anos.


A Corveta NRP João Coutinho (F475) é a primeira unidade do projecto nacional de seis navios, a classe JOÃO COUTINHO, da autoria do Engenheiro Construtor Naval Rogério Silva Duarte Geral D’Oliveira e da qual fazem parte mais cinco unidades: NRP António Enes (F471), NRP Jacinto Cândido (F476), NRP Pereira d’Eça (F477), NRP Augusto Castilho (F484) e NRP Honório Barreto (F485).
A construção dos três primeiros teve lugar nos estaleiros Blohm & Voss na Alemanha, e os outros três na empresa Nacional Bazan de Construções Navais Militares em Espanha.

A classe BAPTISTA DE ANDRADE, com quatro unidades, pode considerar-se uma evolução, melhor armada e equipada, da classe JOÃO COUTINHO, assim como também a classe DESCUBIERTA, da Marinha de Espanha.
A Corveta NRP João Coutinho, Construída nos estaleiros Blohm & Voss, de Hamburgo, e lançada à água a 2 de Maio de 1969, em Kiel, entrou ao serviço em 7 de Março de 1970. É um navio com 1 480 toneladas de deslocamento, medindo 85 metros de comprimento por 10,3 de boca máxima, com 3,3 metros de calado. A sua propulsão é assegurada por dois motores diesel, desenvolvendo 12 000 cavalos de potência, e por 2 eixos, que garantem ao navio uma velocidade máxima de 22 nós e uma autonomia de 6 250 milhas marítimas, com a marcha estabilizada a 18 nós. Equipada com um radar de navegação e sensores de controlo de tiro e armada com 2 canhões de 76 mm, duas peças AA de 40 mm, assim como com armas anti-submarinas. Dispunha ainda de uma pista para uso de helicópteros ligeiros e,
uma guarnição de 72 marinheiros (7 oficiais 14 sargentos e 51 praças).

Durante a sua vida operacional, fez mais de 60 mil horas de navegação e participou nas mais variadas missões, de natureza militar e não militar, destacando-se entre outras, o serviço no ex-Ultramar, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e a patrulha da costa de Moçambique (1970 – 75), garantindo aí uma presença naval em defesa da soberania de Portugal, assim como a evacuação de cidadãos nacionais na Guiné Bissau em 1998, a colaboração nas operações no mar na sequência da queda da ponte Hintze Ribeiro em 2001 e em duas grandes operações de combate à poluição marítima: do petroleiro Prestige em 2002 e do afundamento do porta-contentores Nautila em 2003. Para além disso, ao longo da sua existência, assegurou inúmeras missões de vigilância do tráfego marítimo, fiscalização da ZEE e busca e salvamento, assim como viagens de instrução.
Tendo como patrono, João de Azevedo Coutinho, um ilustre oficial da nossa Armada, atingindo a patente de vice-almirante. Era natural da vila alentejana de Alter do Chão, distrito de Portalegre, onde nasceu a 3 de Fevereiro de 1865. João Coutinho, foi um político, administrador colonial e militar da Armada Portuguesa, na qual atingiu o posto de contra-almirante honorário, como já foi dito, que aos 25 anos foi um dos heróis africanos que foram proclamados Benemérito da Pátria pela Câmara dos Deputados das Cortes, pelo seu papel nas Campanhas de Conquista e Pacificação das colónias portuguesas de África. Foi deputado, governador-geral da colónia de Moçambique (1905-1906), Ministro da Marinha e Ultramar (1909-1910) e senador monárquico no Congresso da República (1925-1926). Monárquico convicto, foi lugar-tenente do rei D. Manuel II de Portugal quando este se encontrava no exílio após a implantação da República Portuguesa.

Após mais de 44 anos ao serviço da Marinha, o N.R.P. JOÃO COUTINHO cumpriu a sua última missão de vigilância das águas sob jurisdição nacional e participação no dispositivo do serviço de busca e salvamento marítimo, regressando à Base Naval de Lisboa, no Alfeite, no dia 14 de Agosto de 2014.
Como um dos elementos da sua segunda guarnição, Moçambique 1972/1974, não podia deixar de saudar os mais de 2000 marinheiros que ao longo dos seus mais de 44 anos ao serviço da Marinha e de Portugal demonstram permanentemente um excelente desempenho que muito nos honram. Esta saudação é especialmente dirigida a todos os membros da sua 2ª Guarnição (1972/1974) e meus grandes amigos que apesar de muito jovens soubemos, por terras África, cultivar amizades que ainda hoje perduram.

Não podia terminar sem desejar ao seu último Comandante, meu Camarada e amigo, o Cap-Ten Santos Serafim, muitas felicidades pessoais e profissionais.

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