quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Gripe Espanhola - Efeméride de 12 de Outubro


A 12 Outubro de 1918 são diagnosticados no Brasil os primeiros casos da Gripe Espanhola. Vários jornais são censurados, para não causar "pânico".

A Gripe de 1918 (frequentemente citada como Gripe Espanhola) foi uma pandemia do vírus influenza que se espalhou por quase toda parte do mundo. Terá sido causada por uma virulência incomum e frequentemente mortal de uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1.

A origem geográfica da pandemia de gripe de 1918-1919 (espanhola) é desconhecida. Foi designada de gripe espanhola, gripe pneumónica, peste pneumónica ou, simplesmente, pneumónica.

A designação "gripe espanhola" deu origem a algum debate na literatura médica da época, e talvez se deva ao fato de a imprensa na Espanha, não participando na guerra, ter noticiado livremente que civis em muitos lugares adoeciam e morriam em números alarmantes.

A doença foi observada pela primeira vez em Fort Riley, Kansas, Estados Unidos, em 4 de Março de 1918, e em Queens, Nova Iorque em 11 de Março do mesmo ano.

Os primeiros casos conhecidos da gripe na Europa ocorreram em Abril de 1918 com tropas francesas, britânicas e americanas, estacionadas nos portos de embarque na França durante a Primeira Guerra Mundial. Em Maio, a doença atingiu a Grécia, Portugal e Espanha. Em Junho, a Dinamarca e a Noruega. Em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da marinha dos Estados Unidos se deveram à gripe.

Estima-se que a gripe espanhola tenha vitimado entre 50 e 100 milhões de pessoas em todo o mundo, tornando-se um dos desastres naturais mais letais da história da humanidade.

Esta gripe chegou a Portugal na primavera de 1918. Os primeiros casos de pneumónica ocorreram no final de Maio de 1918, em Vila Viçosa e terão provocado mais de 60 mil mortos.


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Concílio Vaticano II - Efeméride de 11 de Outubro

Passados dois anos de difíceis preparativos, numa cerimónia carregada de pompa e circunstância foi inaugurado oficialmente, no dia 11 de Outubro de 1962, o Concílio Vaticano II, a tão esperada assembleia religiosa que iria discutir os rumos da Igreja Católica nas décadas que antecedem o terceiro milênio da Era Cristã.

O idealizador do encontro, o extraordinário Papa João XXIII[i], inscreveu para sempre o seu nome na história. O inédito debate convocado pelo Papa apresentava como grande objectivo aproximar o Vaticano do homem moderno e até das outras religiões – o que marcaria uma verdadeira revolução na Igreja.

A assembleia, inicialmente prevista para durar alguns anos, também refletiu sobre o papel e o poder dos episcopados nacionais. Acredita-se que o Papa João XXIII gostaria de ver mais padres envolvidos na condução dos assuntos da Igreja.

Nas palavras do próprio papa, o Concílio serviria apenas para tornar mais transparente a Igreja, para permitir que uma brisa fresca envolva uma instituição que parece manchada de bolor: "Abri as janelas para que os ventos da História soprassem a poeira do Trono de Pedro".

Na véspera da cerimônia solene de abertura, com a humildade que o caracterizava, João XXIII agradeceu a Deus por ter conseguido inaugurar o Concílio. Consciente da idade avançada (80 anos) e da sua saúde frágil, contudo, entregou-se à vontade divina e afirmou estar pronto para deixar a conclusão da assembleia nas mãos de um sucessor.

Apesar de alguma debilidade física que deixa transparecer em algumas aparições – e de alguns cancelamentos de audiências, que indiciam algumas preocupações nunca impediu João XXIII  fosse o grande motor e condutor desta assembleia ecumênica.

Aos que acreditavam que ele não estaria à frente dos trabalhos nas alturas mais agudas, é necessário lembrar que o pontífice adorava criar surpresas. E a maior delas foi justamente a convocação do Concílio, em Janeiro de 1959, apenas três meses depois do início de seu pontificado – e menos de um século depois do conturbado primeiro Concílio, bruscamente interrompido pela captura de Roma (2ª guerra da Unificação) e, oficialmente fechado somente de quando dos preparativos para o Vaticano II, pelo próprio João XXIII.

A sua eleição, aos 77 anos, depois de onze votações no conclave cardinalício, indiciava que ele seria apenas um "papa de transição", de mandato breve, sem grandes perspetivas ou ambições – do então arcebispo de Veneza (1953 a 28 Outubro de 1858) esperava-se no máximo algum reparo no funcionamento da Cúria, desgastada nos últimos anos do longo pontificado de Pio XII (1939-1958). O anúncio do Concílio deixou os membros da Igreja pasmados. Os mais atônitos foram os que viam no italiano Angelo Giuseppe Roncalli um cardeal intelectualmente limitado, um bonacheirão que subiu os degraus do Vaticano mais pela brilhante atividade pastoral do que pelos conhecimentos teológicos ou pelo talento na política clerical.

Nascido numa cidadezinha próxima ao Lago de Como, Itália, filho de lavradores, sargento do Exército na I Guerra e padre apaixonado pela missão pastoral, acabou sendo afastado do rebanho pelo papa Bento XV, que o nomeou presidente da Sociedade para a Propagação da Fé, dedicada ao trabalho missionário em países não-católicos.

Com o passar dos anos, tornou-se um diplomata da Igreja, servindo na Bulgária, Turquia, Grécia e, durante a II Guerra, em Paris, onde era núncio apostólico.

Essa biografia certamente explica alguns dos aspectos mais significativos do novo Concílio. O contato com outras ramificações da fé, por exemplo, teria convencido Roncalli da necessidade urgente de estender uma ponte e estabelecer algum diálogo entre as diferentes religiões.

A reforma nas estruturas e engrenagens do Vaticano, outro pilar importante do Concílio, também parece ser fruto da trajetória pessoal do Papa. Ele sempre adorou o contato com os fiéis: dizia que a sua maior diversão era sentar-se numa cozinha de família italiana, conversando com as mulheres, brincando com as crianças e trocando piadas com os homens.

No meio de tantas promessas de modernização na doutrina, os católicos já se perguntavam se a prática cotidiana da religião também seria transformada. Tudo indica que sim. Na abertura do Concílio, João XXIII disse que a Igreja precisa falar a "todos os homens do nosso tempo, levando em conta os desvios, as exigências e as necessidades da vida moderna". Além de atenuar o papel inquisitório da Igreja, a assembleia ecumênica deve procurar ampliar a dimensão pastoral da instituição, alcançando ainda mais fiéis – sem, é claro, mudar a essência da mensagem. Estava prevista a discussão de vários aspectos da prática litúrgica, incluindo o roteiro para a celebração de missas. O latim (que, segundo as más línguas, nunca foi o forte do Papa) pode até deixar de ser obrigatório. Também podem mudar os rituais do batismo e do exorcismo – esse último ainda carregado das superstições inexplicáveis do século XVII.

A expectativa geral em Roma era de um longo e acalorado embate durante as sessões da assembleia. Numa discussão interna sem precedentes na história do Vaticano, conservadores e progressistas deviam debater pela primazia no coração da Igreja.

A ala reformista é reforçada por jovens teólogos dispostos a colocar ainda mais lenha na fogueira. Alguns, como Karl Rahner e John Courtney Murray, defendem a convergência da experiência humana moderna com os dogmas cristãos; outros, como o francês Yves Congar e principalmente o alemão Joseph Ratzinger, (mais tarde Papa Bento XVI) consultor convidado pelo cardeal Josef Frings, de Colônia, procuram caminhos para as reformas através de um novo entendimento das próprias escrituras sagradas. Antes mesmo que o jogo de poder na cúpula da Igreja se iniciasse, o Vaticano já tinha dedicado dois anos à preparação da grande assembleia.

Dez comissões especializadas, além de uma comissão central de integrantes da Cúria, instruíram 987 decretos que foram examinados pelo Concílio. O trâmite foi demorado e cauteloso, para impedir qualquer tipo de precipitação. Novas comissões foram entretanto formadas dentro da assembleia para discutir à exaustão cada minúsculo detalhe e consequência das decisões que então seriam tomadas. No fim, as propostas foram redigidas, revistas e apresentadas ao Concílio. As sessões – realizadas na Basílica de São Pedro, sempre em latim – foram fechadas e secretas, assim como nos conclaves para escolher um papa. Cada intervenção ou discurso durou o máximo de dez minutos.

Na cerimônia pública de abertura 2.540 dos 2.908 prelados com direito a participar do Concílio foram à basílica. Estavam representados todos os escalões da hierarquia católica, desde os cardeais e patriarcas mais poderosos até padres e monges das aldeias mais humildes.

Enviados de 86 países e organismos internacionais também compareceram, acompanhados de dezenas de observadores das igrejas ortodoxas, protestantes e de outras denominações cristãs.
O objetivo central do Concílio não foi a discussão dos artigos fundamentais da Igreja, mas sim a defesa e a ilustração da verdade.
O Concílio, realizado em 4 sessões, só terminou, três anos depois, no dia 8 de Dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI.



[i] Nascido Angelo Giuseppe Roncalli (Sotto Il Monte, 25 de novembro de 1881 — Vaticano, 3 de junho de 1963) foi Papa de 28 de outubro de 1958 até à data da sua morte. Pertencia à Ordem Franciscana Secular (OFS) e escolheu como lema papal: Obediência e Paz.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Linhas de Torres – Efeméride 10 de Outubro

A 10 de Outubro de 1810, durante a terceira invasão francesa, o exército luso-inglês comandado pelo general Arthur Wellesley, toma posição nas Linhas de Torres Vedras, fortificação construída em segredo para deter a progressão, em território nacional, das forças napoleónicas do general Messena. Os franceses, com uma força de cerca de 65.000 homens, chegam às Linhas no dia 14, sendo derrotados.

As Linhas de Torres são um conjunto de fortificações, dispostas ao longo de três linhas de defesa, que tinham como objetivo impedir o acesso a Lisboa às forças da terceira invasão francesa.
As Linhas de Torres foram mandadas construir pelo Duque de Wellington em Outubro de 1809, com o objetivo de deter uma terceira invasão francesa que se adivinhava. Tentava-se evitar que as forças napoleónicas chegassem a Lisboa.

Nesse sentido foram construídas três linhas de defesa com várias dezenas de quilómetros.
A primeira linha estende-se de Torres Vedras, passa pelo Sobral do Monte Agraço e termina em Alhandra. A segunda percorre as áreas de Mafra, Montachique e Bucelas. A terceira cobre a enseada de S. Julião das Barra.

As construções defensivas aproveitam as irregularidades do terreno e compreendiam linhas de trincheiras, baluartes de artilharia, fortins e fortes. Em alguns pontos foram também abertos fossos ou realçados acidentes naturais do terreno.
A construção deste intricado sistema de defesa levou cerca de um ano, e Wellington esperava parar as tropas francesas antes destas chegarem à capital ou, pelo menos, ganhar tempo para embarcar as tropas ingleses em Lisboa.

Após a batalha do Buçaco, a 27 de Setembro de 1810, as tropas francesas continuaram a avançar apesar da derrota.

As primeiras tropas francesas avistaram as linhas de torres em 11 de Outubro e Massena percebeu que seria impossível ultrapassar este obstáculo sem reforços.
Registaram-se pequenas escaramuças mas Massena acabou por retirar ao fim de cerca de um mês.  O exército francês iria deambular pelo país durante vários meses, perseguido por Wellington, antes de retirar para Espanha.






domingo, 9 de outubro de 2016

Nascimento D. Dinis - Efeméride de 9 de Outubro

A 9 de Outubro de 1261 - Nasce D. Dinis, músico, escritor e rei de Portugal.

D. Dinis foi o sexto rei de Portugal, filho de D. Afonso III e da infanta Beatriz de Castela, neto de Afonso X de Castela. Nasceu em Santarém a 7 de Janeiro 1261 e faleceu em Lisboa a 9 de Outubro de 1325. Subiu ao trono em Lisboa em 1279. Quando subiu ao trono, Portugal encontrava-se em conflito com Igreja Católica. D. Dinis normalizou a situação assinando um tratado com o Papa onde jurava proteger os interesses de Roma em Portugal. Foi um rei administrador e não guerreiro. Conseguiu a paz com Castela e definiram-se as fronteiras entre estes dois países. Depois de ter acabado a reconquista, foi necessário fortalecer a autonomia do país e enriquecer o poder do rei, refazer a agricultura e desenvolver a economia. Salvou a Ordem dos Templários passando a chamar-lhes Ordem de Cristo. É evidente que este rei foi muito importante na história portuguesa porque além de se dedicar à administração, a economia, a cultura entre outras coisas.

D. Dinis foi cognominado de “O Rei-Agricultor” ou “O Lavrador” por ter aprovado várias medidas que protegiam a agricultura. Mandou plantar o pinhal de Leiria para proteger as terras agrícolas das áreas costeiras. Criou quintas nas terras de Entre Douro e Minho e ordenou que os lavradores recebessem salário. Ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e assinou o primeiro tratado comercial com o rei de Inglaterra, no ano de 1308. Protegeu a exportação de produtos agrícolas para a Flandres, Inglaterra e França. Essas exportações envolveram ainda sal e peixe salgado. Em troca vinham minérios e tecidos. Começou a interessar-se também pelo desenvolvimento do comércio marítimo e aperfeiçoamento dos processos de navegação. Contratou marinheiros italianos para virem trabalhar em Portugal. Antes, as ordens religiosas exploravam as terras, mas só com D. Dinis todo o povo começou também a fazê-lo, o que facilitou a distribuição de terras.

O número de feiras oficiais, freiras francas, cresceu bastante no reinado de D. Dinis, o que mostra que a actividade agrícola se expandia e produzia o suficiente para vender. De qualquer forma, estas feiras estenderam-se mais no norte do país, mas o comércio estava mais desenvolvido nas cidades do centro e sul. D. Dinis, além de desenvolver a agricultura também reconstruiu castelos antigos, levantou novos e fundou o mosteiro de Odivelas. Podemos dizer que na agricultura foi um rei muito activo, que além de proteger as terras agrícolas, criar novas quintas, desenvolver o comércio marítimo, dedicou-se à cultura reconstruindo castelos antigos ou fundando novos.
Durante o seu reinado, Lisboa foi um dos centros Europeus de cultura. Foi D. Dinis que, em 1290, com o apoio do Papa, criou a primeira universidade portuguesa, a famosa Universidade de Coimbra, fundada pelo seu decreto Magna Charta Priveligiorum. Começou a usar-se a língua portuguesa nos documentos escritos.


A cultura foi um dos seus interesses pessoais. D. Dinis gostava de literatura, escreveu ele próprio vários livros, com temas como administração ou caça, além de vários volumes de poesia. Por tudo isso foi lhe atribuído o cognome de “O Rei-Poeta”. O cognome de “O Rei-Trovador” recebeu pelas Cantigas de Amigo que compôs e pelo desenvolvimento da poesia trovadoresca que marcou o seu reinado. Podemos dizer que a cultura foi a sua paixão e com a sua poesia enriqueceu a literatura do fim do século XIII e do início do século XIV.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Implantação da República Portuguesa – Efeméride de 5 de Outubro

Implantação da República Portuguesa – Efeméride de 5 de Outubro

A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português que, no dia 5 de Outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal.
A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade tudo contribuiu para o processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república souberam tirar o melhor proveito. 
A República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia 5 de Outubro de 1910 da varanda dos Paços do Concelho em Lisboa. Um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 que deu início à Primeira República. Entre outras mudanças, com a implantação da república, foram substituídos os símbolos nacionais: o hino nacional e a bandeira.
Em 1890 o governo britânico enviou ao governo português um ultimato, exigindo a retirada das forças militares portuguesas do território compreendido entre de Angola e Moçambique (nos actuais Zimbabwe e Zâmbia). A pronta cedência portuguesa às exigências britânicas foi vista como uma humilhação nacional iniciando-se um profundo movimento de descontentamento em relação ao novo rei, D. Carlos, à família real e à instituição da monarquia, vistos como responsáveis pelo alegado processo de decadência nacional. A situação agravou-se com a severa crise financeira ocorrida entre 1890-1891 e a proclamação da Republica no Brasil (15 de Novembro de 1889), os republicanos souberam capitalizar este descontentamento que acabaria por culminar no derrube do regime.
Em 1890, o velho explorador Silva Porto imolou-se envolto numa bandeira portuguesa no Kuito, em Angola, a morte do que fora um dos rostos da exploração africana gerou uma onda de comoção nacional e o seu funeral foi seguido por uma enorme multidão. Na cidade do Porto, no dia 31 de Janeiro de 1891, registou-se um levantamento militar contra a monarquia constituído principalmente por Sargentos e Praças. Os revoltosos, que tinham como hino uma canção de cariz patriótico composta em reação ao ultimato britânico, "A Portuguesa", tomaram os Paços do Concelho, de cuja varanda, o jornalista e político republicano Augusto Manuel Alves da Veiga proclamou a implantação da república em Portugal e hasteou uma bandeira vermelha e verde, pertencente ao Centro Democrático Federal.
O movimento foi, pouco depois, sufocado por um destacamento da guarda municipal que se manteve fiel ao governo, resultando 12 mortos e 40 feridos. Os revoltosos capturados foram julgados, tendo 250 sido condenados a penas entre os 18 meses e os 15 anos de degredo em África. "A Portuguesa" foi proibida.
Embora tendo fracassado, a revolta de 31 de janeiro de 1891 foi a primeira grande ameaça sentida pelo regime monárquico e um prenúncio do que viria a suceder quase duas décadas mais tarde
A propaganda republicana foi sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular. As comemorações do terceiro centenário da morte de Luís de Camões, em 1880, e o Ultimatum britânico, em 1890, por exemplo, foram amplamente aproveitadas, apresentando-se os republicanos como os verdadeiros representantes dos mais puros sentimentos nacionais e das aspirações populares. O terceiro centenário de Camões foi comemorado com grandes cerimónias: um cortejo cívico que percorreu as ruas de Lisboa, no meio de grande entusiasmo popular e, também, a trasladação dos restos mortais de Camões e de Vasco da Gama para o Mosteiro dos Jerónimos
Em 1908, quando regressavam a Lisboa vindos de Vila Viçosa, no Alentejo, onde haviam passado a temporada de caça, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro Luís Filipe foram assassinados em plena Praça do Comércio. O atentado ficou a dever-se ao progressivo desgaste do sistema político português. A família real encontrava-se então no Paço Ducal de Vila Viçosa, mas vários acontecimentos levaram o rei D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio na estação de Vila Viçosa. A comitiva régia chegou ao Barreiro onde para atravessar o Tejo apanharam o vapor desembarcando no Terreiro do Paço, em Lisboa. Apesar do clima de grande tensão existente o rei optou por seguir em carruagem aberta, com uma reduzida escolta, para demonstrar normalidade. Enquanto saudavam a multidão presente na praça, a carruagem foi atingida por vários disparos. Um tiro de carabina atravessou o pescoço do rei, matando-o imediatamente. Seguiram-se vários disparos, sendo que o príncipe real conseguiu ainda alvejar um dos atacantes, sendo em seguida atingido na face por um outro disparo. A rainha, de pé, defendia-se com o ramo de flores que lhe fora oferecido, fustigando um dos atacantes, que subira o estribo da carruagem, gritando "Infames! Infames!". O infante D. Manuel foi também atingido num braço. Dois dos regicidas foram mortos no local outros fugiram. A carruagem entrou no Arsenal da Marinha, onde se verificou o óbito do rei e do herdeiro ao trono.
Após o atentado, o governo foi demitido e foi lançado um rigoroso inquérito que, ao longo dos dois anos seguintes. 
A Europa ficou chocada com este atentado, uma vez que D. Carlos era estimado pelos restantes chefes de estado europeus.
O regicídio de 1908 acabou por abreviar o fim da monarquia ao colocar no trono o jovem D. Manuel II e lançando os partidos monárquicos uns contra os outros. Devido à sua jovem idade (18 anos) e à forma trágica e sangrenta como alcançou o trono, D. Manuel II auferiu inicialmente de uma simpatia generalizada.
A situação política continuava a degradar-se, tendo-se sucedido sete governos em dois anos. Os partidos monárquicos  estavam divididos e fragmentados, enquanto o Partido Republicano continuava a ganhar terreno, mas o sector mais revolucionário do partido advogava a luta armada como melhor meio de tomar o poder a curto prazo. Num congresso do partido realizado em Setúbal em 1909 o diretório, composto por Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, José Cupertino Ribeiro e José Relvas, recebeu do congresso o mandato imperativo de fazer a revolução.
As funções logísticas de preparação da intentona foram confiadas a elementos mais radicais, o comité civil era formado por Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida, enquanto o almirante Cândido dos Reis liderava o comité militar. António José de Almeida ficou encarregue da organização das sociedades secretas, como a Carbonária em cuja chefia se integrava o comissário naval António Machado Santos, a Maçonaria e a "Junta Liberal", dirigida por Miguel Bombarda. A este eminente médico ficou a dever-se uma importante ação de propaganda republicana junto do meio burguês e que trouxe muitos simpatizantes à causa republicana.
A 3 de outubro de 1910 estalou a revolta republicana que já se avizinhava no contexto da instabilidade política. Embora muitos envolvidos se tenham esquivado à participação chegando mesmo a parecer que a revolta tinha falhado esta acabou por suceder graças à incapacidade de resposta do governo, que não conseguiu reunir tropas que dominassem os cerca de duzentos revolucionários que na Rotunda resistiam de armas na mão.
No verão de 1910 Lisboa fervilhava de boatos e várias vezes foi o presidente do Conselho de Ministros avisado de golpes iminentes, o golpe era esperado pelo governo que deu ordem para que todas as tropas da guarnição da cidade ficassem de prevenção. 
Após o assassinato de Miguel Bombarda, baleado por um dos seus pacientes, os chefes republicanos reuniram-se de urgência na noite de dia 3. Alguns oficiais foram contra, dada a prevenção das forças militares, mas o almirante Cândido dos Reis insistiu para que se continuasse. Passaram então á ação.
Machado Santos dirigiu-se ao aquartelamento do Regimento de Infantaria 16, onde um cabo revolucionário provocara o levantamento da maior parte da guarnição: um comandante e um capitão que se tentaram opor foram mortos a tiro. Entrando no quartel com umas dezenas de carbonários, o comissário naval seguiu depois com cerca de 100 praças para o Regimento de Artilharia 1, onde o capitão Afonso Palla e alguns sargentos, introduzindo alguns civis no quartel, já tinham tomado a secretaria, prendendo os oficiais que se recusaram a aderir. Formaram-se duas colunas, a primeira marchou ao encontro aos regimentos Infantaria 2 e Caçadores 2,  para seguir para Alcântara onde deveriam apoiar o quartel de marinheiros.
Depois de alguns confrontos com a polícia e civis, avançaram para a Rotunda, onde se entrincheiraram, compunha-se a força aí estacionada de 200 a 400 praças e cerca de 200 populares. Mas para que tudo resulta-se era necessário o apoio, em armas e homens, dos 3 navios de guerra ancorados no Tejo. Nestes o tenente Mendes Cabeçadas havia tomado o comando do "Adamastor", enquanto a tripulação revoltada do "São Rafael" era comandada por Tito de Morais.
No navio "D. Carlos I" a tripulação encontrava-se sublevada mas os oficiais estavam entrincheirados, após algum tiroteio  o comandante do navio e os oficiais renderam-se ficando o "D. Carlos I" também na mão dos republicanos.
Assim, os republicanos, somavam cerca de 400 homens na Rotunda, mais cerca de 1000 a 1500 em Alcântara, contando com as tripulações dos navios, além de se terem conseguido apoderar da artilharia da cidade, com a maioria das munições, ao que juntava a artilharia dos navios. Mesmo assim, a princípio os acontecimentos não decorreram a favor dos revoltosos. O sinal de três tiros de canhão que deveria ser o aviso para civis e militares avançarem não resultou. Apenas um tiro foi ouvido e o almirante Cândido dos Reis, que esperava o sinal foi informado por oficiais que tudo falhara e retirou-se para casa da irmã. Ao amanhecer seria encontrado morto numa azinhaga em Arroios. Desesperado, suicidara-se com um tiro na cabeça.
Desalentados alguns oficiais retiraram-se para as suas casas, mas Machado Santos ficou e assumiu o comando. Esta decisão seria fundamental para o sucesso da revolução. Assim que houve notícia do começo da revolta, as forças leais ao regime seguiram para o Paço das Necessidades para proteger a pessoa do rei, enquanto outros marcharam para o Rossio, com a missão de proteger o quartel-general. Quanto às forças policiais uns dirigiram-se para a Estação do Rossio outros para a Fábrica de Gás, Casa da Moeda, quartel do Carmo, depósito de munições de Beirolas e a casa do presidente do Conselho de Ministros
O facto de terem alinhado, do lado monárquico, algumas unidades cujas simpatias estavam com os republicanos conjugado com o abandono, do lado dos revoltosos, do plano de acção original, optando-se pelo entrincheiramento na Rotunda e em Alcântara, levou a que durante todo o dia 4 a situação se mantivesse num impasse, correndo pela cidade os mais variados boatos acerca de vitórias e derrotas. Desde o início da revolução que os carbonários tinham desligado os fios telegráficos impedindo assim que alguma mensagem chegasse às unidades de fora de Lisboa. Além disso os revolucionários tinham cortado as linhas férreas pelo que, obrigadas a marchar, estas nunca chegariam a tempo. Da Margem Sul, mais próxima, também era improvável a chegada de reforços, visto que os navios revoltosos dominavam o rio. Ao final do dia a situação era difícil para as forças monárquicas: os navios sublevados tinham estacionado junto ao Terreiro do Paço e o cruzador "São Rafael" fez fogo sobre os edifícios dos ministérios.
D. Manuel II regressara ao Paço das Necessidades, e estava na companhia de alguns oficiais, jogavam bridge quando os revolucionários começaram a bombardear o local. O rei tentou telefonar, mas encontrou a linha cortada, conseguindo apenas informar a rainha-mãe, no Palácio da Pena, acerca da situação. 
Cerca das nove horas o rei recebeu um telefonema do presidente do Conselho, aconselhando-o a procurar refúgio em Mafra ou Sintra, dado que os revoltosos ameaçavam bombardear o Paço das Necessidades. D. Manuel II recusou-se a partir.
Os cruzadores "Adamastor" e "São Rafael", começaram a bombardear o Paço das Necessidades, o que desmoralizou as forças monárquicas aí presentes. O rei refugiou-se numa pequena casa no parque do palácio mas como a situação se complicavapartiu junto com os seus assessores em direção a Mafra, onde a Escola Prática de Infantaria disporia de forças suficientes para proteger o soberano. Logo ao início da Estrada de Benfica o rei libertou o esquadrão da guarda municipal que o escoltava para que viessem ajudar os seus companheiros a lutar contra os revolucionários. A comitiva chegou sem problemas a Mafra mas aí depararam com um problema: devido às férias, não se encontravam na Escola Prática mais do que 100 praças, ao invés das 800 que seria de esperar não dispunham pois de meios suficientes para proteger o rei. Entretanto era necessário trazer para Mafra as rainhas D. Amélia e D. Maria Pia (respectivamente a mãe e a avó do rei) que estavam nos Palácios da Pena e da Vila, em Sintra. 
Os confrontos continuavam em Lisboa, mas surgiria uma ordem de cessar-fogo para as forças monárquicas, pois iria haver um armistício de uma hora, mas outros acontecimentos seriam fundamentais para a vitória final. Um diplomata alemão, chegado na antevéspera, instalara-se no Hotel Avenida Palace, lugar de residência de muitos outros estrangeiros. A proximidade do edifício da zona dos combates não o poupou a estragos. Perante este perigo, o diplomata tomou a resolução de intervir, dirigiu-se ao quartel-general e pediu um cessar-fogo que lhe permitisse evacuar os cidadãos estrangeiros. Sem comunicar ao governo, e talvez na esperança de ganhar tempo para a chegada dos reforços da província, o general acede.
O diplomata alemão, acompanhado de um ordenança com a bandeira branca, dirige-se aos revoltosos para acertar o armistício. Mas eis que estes, vendo a bandeira branca, julgaram que a força opositora se rendia, pelo que saem entusiasticamente das fileiras e juntam-se ao povo que entretanto já saíra á rua e que sai das ruas laterais e se juntava numa grande aglomeração gritando vivas à república. Os revoltosos a princípio não aceitam o armistício, mas perante os protestos do diplomata cedem.
A situação com a saída dos populares à rua era muito confusa, mas já favorável aos republicanos, dado o evidente apoio popular. A 5 de Outubro de 1910 pelas 9 horas da manhã, era proclamada a república por José Relvas, na varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, após o que foi nomeado um Governo Provisório, presidido por membros do Partido Republicano Português, com o fito de governar a nação até que fosse aprovada uma nova Lei Fundamental.
A revolução saldou-se em algumas dezenas de baixas. O número rigoroso não é conhecido, mas sabe-se que, até ao dia 6 de outubro, tinham dado entrada na morgue 37 vítimas mortais da revolução. Vários feridos recorreram a hospitais e postos de socorros da cidade, alguns deles vindo, mais tarde, a falecer. Por exemplo, dos 78 feridos que deram entrada no Hospital de São José, 14 faleceram nos dias seguintes. 
Em Mafra, na manhã do dia 5 de outubro, o rei procurava um modo de chegar ao Porto, ação muito difícil de levar a cabo por terra dada a quase inexistência de uma escolta e os inúmeros núcleos de revolucionários espalhados pelo país. Cerca do meio-dia era entregue ao presidente da câmara municipal de Mafra a comunicação do novo governador civil, ordenando que se arvorasse a bandeira republicana. A posição da família real tornava-se precária. A solução aparece quando chega a notícia de que o iate real "Amélia" fundeara ali perto, na Ericeira. Tendo a confirmação da proclamação da república e o perigo próximo da sua prisão, D. Manuel II decide embarcar com vista a dirigir-se ao Porto. A família real e alguns acompanhantes dirigiram-se à Ericeira de onde, por meio de dois barcos de pesca e perante os olhares curiosos dos populares embarcaram no iate real. Uma vez a bordo, o rei escreveu ao primeiro-ministro:
 "Meu caro Teixeira de Sousa, Forçado pelas circunstâncias vejo-me obrigado a embarcar no yacht real "Amélia". Sou português e sê-lo-ei sempre. Tenho a convicção de ter sempre cumprido o meu dever de Rei em todas as circunstâncias e de ter posto o meu coração e a minha vida ao serviço do meu País. Espero que ele, convicto dos meus direitos e da minha dedicação, o saberá reconhecer! Viva Portugal! Dê a esta carta a publicidade que puder. D. Manuel II".
O destino primeiro do rei seria o Porto, mas os conselheiros opuseram-se à opinião do soberano, alegando que se o Porto não os recebesse o navio dificilmente teria combustível para chegar a outro ancoradouro. Perante a insistência de D. Manuel II, o imediato argumentou que levavam a bordo toda a família real, pelo que era o seu primeiro dever salvar essas vidas. O porto de destino escolhido foi Gibraltar. Aí tomou conhecimento que também o Porto tinha aderido à causa republicana. D. Manuel ordenou que o navio, por ser propriedade do Estado português, voltasse a Lisboa. O rei deposto, no entanto, viveria o resto dos seus dias no exílio.
Dia 6 de Outubro era formado o Governo Provisório da república, durante o tempo que esteve em funções, o Governo Provisório tomou uma série de medidas importantes e que tiveram um efeito duradouro.
A Igreja Católica ressentiu-se bastante das medidas tomadas pelo Governo Provisório.
Entre estas destacam-se a expulsão da Companhia de Jesus e das ordens do clero regular, o encerramento dos conventos, a proibição do ensino religioso nas escolas, a abolição do juramento religioso nas cerimónias civis e a laicização do Estado pela separação entre a Igreja e o Estado.
Foi institucionalizado o divórcio e a legalidade dos casamentos civis, a igualdade de direitos no casamento entre homem e mulher, a regularização jurídica dos filhos naturais; a protecção à infância e aos idosos, a reformulação das leis da imprensa, a extinção dos títulos nobiliárquicos e o reconhecimento do direito à greve.
O Governo Provisório optou, ainda, pela extinção das então guardas municipais substituídas por um novo corpo público de defesa da ordem, a Guarda Nacional Republicana.
Para as colónias, criou-se legislação com vista a conceder autonomia às províncias ultramarinas, condição necessária ao seu desenvolvimento. Entretanto, foram alterados também os símbolos nacionais, a bandeira e o hino, foi adotada uma nova unidade monetária, o escudo, a equivaler a mil réis e até a ortografia da língua portuguesa foi simplificada e devidamente regulamentada, através da Reforma Ortográfica de 1911.
Começava a Primeira República.
Com a implantação da República, os símbolos nacionais foram modificados. Por decreto foi nomeada uma comissão encarregada de os criar. A modificação dos símbolos nacionais, surgiu da dificuldade que os Republicanos enfrentaram para representar a República: Na monarquia o rei tem um corpo físico e portanto é uma pessoa reconhecível e reconhecida pelos cidadãos. Mas a república é uma ideia abstracta.
Em relação à bandeira, existiam duas tendências: uma de manter as cores azul e branca, tradicional das bandeiras portuguesas, e outra de usar cores "mais republicanas": verde e vermelho.
O projeto da bandeira foi aprovado pelo Governo Provisório a 29 de novembro de 1910. No dia 1 de Dezembro foi celebrada a Festa da Bandeira. A Assembleia Nacional Constituinte promulgou a escolha da bandeira a 19 de junho de 1911.
A 19 de Junho de 1911 a Assembleia Nacional Constituinte proclamou "A Portuguesa" como hino nacional em substituição do Hino da Carta, anterior hino nacional desde Maio de 1834, inscrevendo-a como símbolo nacional na Constituição portuguesa de 1911. A Portuguesa fora composta em 1890, com música de Alfredo Keil e letra de Henrique Lopes de Mendonça, em reação ao Ultimatum inglês. Nasceu como uma canção de cariz patriótico e foi utilizada, com uma letra ligeiramente diferente, como a marcha dos revoltosos de 31 de Janeiro de 1891 na tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, razão pela qual o regime monárquico a proibiu. Embora proclamada hino nacional em 1911, só a 4 de Setembro de 1957 foi aprovada a versão oficial que é hoje tocada em cerimónias nacionais civis ou militares e aquando da visita de chefes de estado estrangeiros, após ser ouvido o hino da nação representada.
O busto oficial da República foi escolhido num concurso nacional em 1911. É da autoria de Francisco dos Santos, existem no entanto dois bustos o outro busto que foi adotado como o rosto da República, é da autoria de José Simões de Almeida e foi criado em 1908. A modelo para este busto foi Ilda Pulga, uma jovem trabalhadora do comércio do Chiado.
O busto mostra a República com um barrete frígio, influência da Revolução Francesa. O busto de Simões foi logo adotado pela Maçonaria, foi usado nos funerais de Miguel Bombarda e de Cândido dos Reis.
Uma das primeiras grandes preocupações do novo regime republicano foi ser reconhecido pelas restantes nações.
Em 1910, a grande maioria dos Estados europeus eram monarquias. Apenas a França, a Suíça e San Marino eram repúblicas. Por isso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo Provisório, chefiado por Bernardino Machado, orientou a sua pasta segundo critérios de extrema prudência, levando-o, logo no dia 9 de outubro de 1910, a comunicar aos representantes diplomáticos em Portugal que o Governo Provisório honraria todos os compromissos internacionais assumidos pelo anterior regime.
O marechal Hermes da Fonseca presenciou pessoalmente todo o processo de transição de regime, tendo chegado a Portugal em visita oficial quando o país ainda era uma monarquia e saído já na república, não foi de estranhar que tenha sido o Brasil o primeiro país a reconhecer o novo regime político português, depois seguiu-se a Argentina, Nicarágua, Uruguai a Guatemala e a Costa Rica, o Peru e o Chile depois a Venezuela o Panamá e por fim os Estados Unidos.
Pouco mais de um mês tinha passado da revolução, quando o governo britânico reconheceu de facto a República portuguesa, manifestando "o mais vivo desejo de S.M. Britânica de conservar-se em relações amigáveis" com Portugal.

Idêntica posição foi, também, manifestada pelos governos espanhol, francês e italiano. No entanto, o reconhecimento oficial só surgiria após a aprovação da Constituição e da eleição do presidente da República. A República Francesa foi a primeira a fazê-lo a 24 de Agosto de 1911, dia da eleição do primeiro presidente da República Portuguesa. Só a 11 de Setembro o Reino Unido fez o seu reconhecimento, acompanhado da Alemanha, do Império Austro-Húngaro, da Dinamarca, da Espanha, da Itália e da Suécia. Seguiram-se a 12, a Bélgica, a Holanda e a Noruega; a 13 a China e o Japão; a 15 a Grécia; a 30 a Rússia; a 23 de outubro a Roménia; a 23 de Novembro a Turquia; a 21 de Dezembro o Mónaco; e a 28 de Fevereiro de 1912 o Reino do Sião. Em virtude da tensão criada entre a jovem República e a Igreja Católica, as relações com a Santa Sé ficaram suspensas, não procedendo a cúria romana ao reconhecimento da República Portuguesa até 29 de Junho de 1919.




terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sputnik 1 – Efeméride de 4 de Outubro


Sputnik 1 – Efeméride de 4 de Outubro

A 4 de Outubro de 1957, a União Soviética lançou para o espaço o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da Terra. Emitia sons com frequências de 22 e 44 MHz, que indicavam a sua temperatura interna. Este acontecimento marcou o início da exploração do espaço.
O Sputnik 1 foi o primeiro satélite artificial da Terra. Foi lançado pela União Soviética em 4 de Outubro de 1957 na Unidade de teste de foguetes da União Soviética atualmente conhecido como Cosmódromo de Baikonur.

O Sputnik 1, era uma esfera de aproximadamente 58,5 cm e pesando 83,6 kg. A função básica do satélite era transmitir um sinal de rádio, "beep", que podia ser sintonizado por qualquer radioamador nas frequências entre 20,005 e 40,002 MHz, emitidos continuamente durante 22 dias até 26 de Outubro de 1957, quando as baterias do transmissor esgotaram sua energia.

O satélite orbitou a Terra por seis meses antes de cair. Apesar das funcionalidades reduzidas do satélite, o Sputnik 1 ajudou a identificar as camadas da alta atmosfera terrestre através das mudanças de órbita do satélite.

O satélite Sputnik era pressurizado internamente por nitrogênio, oferecendo também a primeira oportunidade de estudo sobre pequenos meteoritos, detectado através da despressurização interna ocasionada pelo impacto perfurante de um pequeno meteorito, evidenciado através de grandes variações internas de temperatura conforme a pressão diminuía. Tais variações de temperatura refletiram no sinal emitido pelo transmissor que foram monitorados pelo controle do satélite em terra.






sábado, 1 de outubro de 2016

Extinção da Inquisição em Portugal – 1 de Outubro 1774


Extinção da Inquisição em Portugal – 1 de Outubro 1774
A 1 de Outubro de 1774, Marquês de Pombal publica o decreto que extingue a Inquisição portuguesa.
Em Portugal, o cenário mudara e a Inquisição acabava de entrar nos seus últimos estertores, golpeada de morte pelo clarividente e poderoso ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como o Marquês de Pombal.
Já em 5 de outubro de 1768, como medida precursora, havia esse estadista excepcional desarmado os denominados "puritanos", isto é, os nobres que teimavam em não se alinhar a sangue suspeito de cristão-novo: determinou o Marquês um prazo de 4 meses àqueles que tivessem filhos em idade casadoura, para que procedessem a enlaces com famílias até então excluídas.

Poucos anos depois, em 25 de maio de 1773, conseguiu ele junto ao rei, D. José I, a promulgação de uma lei que extinguiu as diferenças entre cristãos-velhos e cristãos-novos, revogando todos os decretos e disposições até então em vigor com respeito à discriminação contra os cristãos-novos. As penalidades pela simples aplicação da palavra "cristão-novo" a quem quer que fosse, por escrito ou oralmente, eram pesadas: para o povo - chicoteamento em praça pública e desterrado para Angola; para os nobres - perda dos títulos, cargos, pensões e condecorações; para o clero - desterrado de Portugal.
Finalmente, um ano mais tarde, em 1 de Outubro de 1774, foi a referida lei regulamentada por um decreto, que sujeitava os veredictos do Santo Ofício à sanção real.
E assim, com essa restrição, estava praticamente anulada a Inquisição portuguesa.
Sobre o especial empenho do Marquês de Pombal junto ao rei em favor da extinção de quaisquer discriminações contra os cristãos-novos, encontra-se na "História Universal do Povo Judeu" de S. Dubnov, a seguinte conjetura: "Mas, consta que o rei manifestou o desejo de que os marranos fossem pelo menos reconhecíveis por um sinal especial. Então, Pombal tirou três chapéus amarelos, dos que usavam os judeus em Roma, explicando que um seria destinado a ele próprio, outro ao inquisidor geral e o terceiro ao rei, visto como ninguém - disse ele - podia estar certo de que nas suas veias não corria o sangue dos marranos".